MILITARES DEVERIAM ASSUMIR ESTUDO DO FENÓMENO OVNI(UAP) COM CIENTISTAS

Após 2017 e sua consagração do tema em debate público americano, originou um relatório debatido no congresso com, cerca de 144 avistamentos militares, durante um período de 17 anos. Segundo a divulgação desse relatório, que foi descrita pela primeira vez o termo UAP, para fenómeno aéreo não identificado (FANI, em português), evitou o estigma associado à sigla OVNI.

Para quem aguardava declarações definitivas, foi uma decepção, dizendo que os dados são “amplamente inconclusivos” e relatados de forma inconsistente. Deixou ainda a possibilidade de alguns avistamentos representarem tecnologia avançada de adversários estrangeiros, com implicações para a segurança nacional dos EUA. No entanto, nenhuma destas afirmações foi desencorajante para os interessados no fenómeno.

O aumento da transparência por parte dos militares mudará alguma coisa? Haverá uma atracção desta fenomenologia no estudo pela questão dos cientistas? Sim, os cientistas terão de superar o sentimento de reticência em relação ao fenómeno. Existiu, uma rápida progressão na localização de planetas a orbitar outras estrelas, levando a uma projecção de 300 milhões de planetas habitáveis (só!) na nossa galáxia. Muito tempo passou, para que nesses planetas se desenvolvesse vida inteligente e tecnológica. Os cientistas não negam a possibilidade de alienígenas viajarem do seu sistema solar para o nosso, nada disso, apenas não estão convencidos com os dados apresentados até ao momento. Uma grande parte dos avistamentos é atribuída a balões meteorológicos ou fenómenos astronómicos, tais como, meteoros ou Vénus.

Já existiram estudos científicos, em 1968, o designado “famoso” Relatório Condon, que afirmava que “nenhum conhecimento cientifico tinha sido obtido em duas décadas de estudo do fenómeno”. Vinte anos depois, Peter Sturrock, concluía que alguns avistamentos são acompanhados por evidências físicas que deveriam ser investigadas. É revelador, que os UAP, ainda não alcançaram o padrão “de existência” em Ciência que pudessem confirmar a sua evidência de forma irredutível.

Ainda assim, as comunidades militares e de inteligência, deverão envolver-se activamente com os cientistas, e ter o apoio de entidades civis, na procura de respostas na base de experiências para conseguir interpretar de forma mais fidedigna os avistamentos em relatórios oficiais e de muitos outros que não foram divulgados. Sob a alçada de Avril Haynes, estão 500 cientistas que consultam as agências de inteligência sobre problemas científicos.

Como seria uma colaboração com cientistas e o que seria necessário para a compreensão do fenómeno UAP? O relatório do Pentágono, mostra como é difícil interpretar os avistamentos, mesmo com especialistas profissionais e dados técnicos transmitidos por tecnologia mais avançada que existe na monitorização do espaço. À excepção de um, em todos os 144 casos, existia pouca informação para caracterizar amplamente os eventos descritos. Kathleen Hicks, vice-secretária de Defesa, reconheceu essa falha quando solicitou uma recolha de dados, mais oportuna e consistente, temendo que terá que desenvolver uma nova estratégia se pretender apresentar um novo relatório ao Congresso, sobre o fenómeno UAP.

Os militares deverão convidar um grupo selecto de especialistas, para examinar todas as evidências. Deverá ser uma equipa multidisciplinar, composta por várias áreas académicas, para fazer abordagem profunda em todas as características definidas nestes fenómenos. Os dados deverão ser compartilhados a nível mundial, dado que o fenómeno UAP é igualmente narrado por todo o globo. Os cientistas deverão usar todos os seus recursos para resolver os problemas.

(Este é um artigo de opinião de Chris Impey, Professor de Astronomia, da Universidade do Arizona)

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