ELEMENTO RADIOACTIVO EXTRATERRESTRE É ENCONTRADO EM ROCHAS NO FUNDO DO MAR

Cientistas descobriram um raro isótopo radioactivo de origem extraterrestre após estudarem rochas recolhidas a 1,5 mil metros de profundidade no Oceano Pacífico. A descoberta do elemento plutónio-244 está registada em um estudo publicado na última sexta-feira (14 Maio), na revista Science.

Os vestígios de plutónio foram localizados em associação com isótopos de ferro-60, que também são radioactivos. Os especialistas acreditam que os dois elementos são resultado de eventos cósmicos violentos que ocorreram no espaço sideral, em proximidades astronómicas da Terra, há milhões de anos. A presença de ferro-60 já havia sido interpretada anteriormente como indicador de explosões estelares que ocorreram próximo ao nosso planeta. Cientistas já sabiam que essas explosões, chamados de supernovas, criaram vários dos elementos pesados da tabela periódica, como ferro, potássio e iodo.

Todavia, o novo estudo aproxima-nos de comprovar que a formação de elementos ainda mais pesados, como ouro, urânio  e o próprio plutónio é bem mais complexa. Muitas vezes exige eventos cósmicos ainda mais violentos. “A história é complicada, possivelmente este plutónio-244 foi produzido em explosões de supernova ou pode ter sobrado de um evento muito mais antigo, mas ainda mais espectacular, como a detonação de uma estrela de neutrões”, explica Anton Wallner, líder do estudo, em comunicado.

Para esclarecer de onde o elemento radioactivo veio, os estudiosos então calcularam a abundância dos isótopos de plutónio e realizaram um processo de datação. O ferro-60 tinha cerca de 2,5 milhões a 6,3 milhões de anos. Já o plutônio-244 tinha uma meia-vida muito mais longa, de 80,6 milhões de anos. Os cientistas concluíram, assim, que o plutónio-244 em questão provavelmente veio de duas ou mais supernovas relativamente próximas da Terra, ambas a cerca de 150 a 350 anos-luz de distância.

Os nossos dados podem ser a primeira evidência de que as supernovas realmente produzem plutónio-244″, conta Wallner, que é professor da Universidade Nacional da Austrália. “Ou talvez o isótopo já estivesse no meio interestelar antes da supernova explodir, e foi empurrado através do Sistema Solar junto com o material ejectado da supernova”.

(WEB 17MAI2021-In Revista“Galileu”, Brasil)

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